O sérvio Ljubisa Karović, de 61 anos, falou pela primeira vez depois de ser parcialmente sugado para fora do avião após uma janela quebrar. O passageiro desabafou sobre o trauma e relatou o que aconteceu. Karović ainda agradeceu por ter sobrevivido, enquanto seu advogado criticou a tripulação da companhia.
O sérvio Ljubisa Karović, de 61 anos, falou pela primeira vez depois de ser parcialmente sugado para fora do avião após uma janela quebrar. O acidente aconteceu no último dia 10 durante o voo de Boeing 737, da Ryanair, que saiu da Grécia e tinha a Alemanha como destino. Já nesta terça-feira (21), ao The Guardian, o homem relatou que só se lembra do momento da explosão e que ainda revive o momento sempre que tenta dormir.
“A explosão é do que eu me lembro. É o barulho antes do caos, o barulho que está sempre lá quando fecho os olhos para dormir”, relatou Karović, que viajava para comemorar o aniversário do irmão. Ele estava no assento 11F, junto à janela.
Após o incidente, a aeronave precisou retornar ao aeroporto de origem para um pouso de emergência. Antes disso, porém, o passageiro disse que desmaiou algumas vezes depois de ser puxado de volta para dentro do avião. Ele foi hospitalizado e recebeu alta há poucos dias.
Conforme o sérvio, ele teve queimaduras e hematomas intensos em seu braço direito, que se estendem até a axila e o peito. Além disso, Karović relatou que ainda sente dores na cabeça e no pescoço. Por conta disso, os médicos recomendaram o uso um colar cervical por pelo menos seis semanas, enquanto avaliam se será necessária uma cirurgia.

“Tenho sorte. Não me lembro de muita coisa e minha cabeça e pescoço ainda doem, mas estou vivo. Pode ter sido o cinto de segurança, o fato de eu ainda estar preso ao assento. Mas talvez tenha sido o destino. Acredito em Deus e agradeço a ele todos os dias [por ter sobrevivido]“, declarou o passageiro.
O advogado de Karović , Vasilis Tsiaras, afirmou que o homem ficou “entre a vida e a morte”. À publicação, ele ainda criticou a demora da tripulação para socorrer seu cliente. “Quando a cabine perdeu pressão, ele foi arremessado para fora da janela, da altura do peito para cima, e perdeu a consciência imediatamente. Ele estava naquele avião a caminho da Alemanha para comemorar o aniversário do irmão”, explicou.
“Em vez disso, a 4.500 metros de altitude, ele acabou com a cabeça e o braço direito para fora da aeronave, que se movia a uma velocidade superior a 600 km/h. Imagine só! Ele encarou a morte, aquele outro mundo, e voltou. Meu cliente desmaiou duas ou três vezes, uma vez fora da aeronave quando foi sugado para fora pela janela e duas vezes dentro, quando novamente perdeu a consciência. Em nenhum momento a tripulação se ofereceu para ajudar”, acusou o advogado.
Segundo ele, seu cliente não foi contatado pela empresa nem recebeu qualquer assistência. Apesar da declaração incisiva, Tsiaras destacou o trabalho do piloto em agir com rapidez. “Não temos queixas do piloto, que seguiu os protocolos de segurança e lidou muito bem com a situação“, pontuou, referindo-se à descida rápida que eles são obrigados a fazer em caso de despressurização da cabine.
O advogado também citou depoimentos de testemunhas, afirmando que a tripulação ficou paralisada, com medo de que a aeronave pudesse cair. “Todos concordaram que a tripulação estava em estado de choque, com medo de que o avião fosse cair. Foram os outros passageiros que se mobilizaram e deram água a Ljubisa”, disse.
Karović, então, corroborou com a versão da defesa ao descrever o que sua esposa, Svetlana, lhe contou sobre o ocorrido. “Disseram-me que desmaiei duas vezes dentro do avião e que meu rosto ficou brevemente inchado e deformado por causa da pressão, da corrente de ar. Minha esposa me lembrou disso”, afirmou.
A Ryanair, por sua vez, defendeu a tripulação, alegando que ela fez um “trabalho fenomenal”. Conforme a companhia, em casos de despressurização, todos os passageiros e tripulantes são obrigados a apertar os cintos de segurança e colocar máscaras de oxigênio. “Assim que a aeronave desceu para uma altitude segura, nossa tripulação prestou assistência ao Sr. Karović, transferindo-o para assentos alternativos (ao lado de sua esposa) e providenciando um médico a bordo para ficar com eles até que a aeronave pousasse em segurança em Salônica. Também providenciaram assistência médica de prontidão para o pouso em Salônica”, informou.
Viajante de longa data, o passageiro confessou que se arrepia só de pensar em viajar de avião novamente. Questionado se havia alguma mensagem que gostaria de transmitir, ele respondeu: “Usem sempre o cinto de segurança. Não quero que ninguém sofra o que eu sofri”.

Caso é investigado
Na segunda-feira (20), o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que uma investigação preliminar apontou que o incidente foi causado por um “objeto estranho” que atingiu o motor durante a decolagem.
Um vídeo do acidente e a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) indicam que um fragmento do motor se desprendeu e atingiu a janela do Boeing 737 pouco depois da decolagem na Grécia. Caso seja confirmado que os danos foram provocados por um objeto externo, isso poderá reduzir a responsabilidade da Boeing e da Ryanair no caso.
O’Leary salientou que o avião tem 18 anos e que o motor havia passado por manutenção e revisão completa nos dois anos anteriores. Conforme ele, um relatório preliminar sobre o caso deve ser divulgado em cerca de 28 dias, seguido por um documento mais detalhado.
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