Roteirista afirma que o objetivo nunca foi absolver ou condenar a protagonista, mas entender sua complexidade
Entre os destaques de Elize: Sombras de Uma Mulher, que estreia nesta terça-feira (22) na Netflix, está a proposta de revisitar um dos crimes de maior repercussão do país por um caminho diferente do documental. Segundo Raphael Montes, responsável pelo roteiro ao lado de Marina Torres, a intenção nunca foi defender ou condenar Elize Matsunaga, mas explorar as contradições de uma personagem marcada por ambiguidades.
“O que tento buscar em cada um desses casos reais é o que eles têm de universal. Não me interessa fazer um filme defendendo a Elize, tampouco condenando. Era muito interessante entender a complexidade humana”, afirma o escritor, ressaltando que o filme procura mostrar as diferentes interpretações que cercam o caso sem entregar respostas prontas.
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Mariana Torres reforça que a produção nasceu da necessidade de discutir temas maiores do que o próprio crime. Para ela, a principal pergunta era compreender o que levou a personagem a cometer um ato tão brutal e, ao mesmo tempo, abrir espaço para reflexões sobre violência contra a mulher, relacionamentos abusivos e traumas. “O crime todo mundo já conhece. Queríamos trazer a violência como discussão”, resume a roteirista.
Os dois também fazem questão de destacar que o longa não pretende substituir a cobertura jornalística nem apresentar uma verdade definitiva. A proposta é utilizar a ficção para mergulhar na psicologia da protagonista e provocar o público, preservando as contradições que transformaram o caso em um dos mais debatidos da história recente do país.





