Uma investigação internacional revelou uma rede de homens, incluindo brasileiros, que vendia registros de abusos com mulheres da própria família. Segundo reportagem do “Fantástico”, neste domingo (3), os abusadores utilizavam medicamentos controlados para dopar as mulheres, cometer os crimes e, então, comercializar vídeos na internet.
As apurações começaram após um alerta da Europol, Agência da União Europeia para a Cooperação Policial. A polícia alemã foi a responsável por identificar as atividades do grupo e constatou que ele atuava em pelo menos nove países, inclusive no Brasil.
De acordo com Flávio Rolim, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da PF, um brasileiro teria elaborado uma espécie de manual sobre o uso das substâncias, orientando quais medicamentos deveriam ser administrados às vítimas e quais provocariam efeitos mais intensos.
O homem é suspeito de integrar a liderança do esquema e abusar de pessoas da própria família. Preso em fevereiro, ele foi peça-chave para os investigadores chegarem a outros brasileiros envolvidos, a partir de mensagens trocadas.

As vítimas eram dopadas com remédios de prescrição controlada e, depois de perderem a capacidade de reação, tornavam-se alvo dos abusadores. As agressões eram registradas em vídeo e, depois, negociadas em sites e aplicativos de mensagens. Em conversas analisadas pela PF, os registros eram oferecidos por valores a partir de R$ 59.
Em uma das conversas, um dos participantes pergunta qual antidepressivo seria mais indicado para uma mulher que raramente consumia bebidas alcoólicas. Em outra, há orientações para triturar comprimidos e misturá-los em bebidas.
Relato das vítimas
Uma das vítimas contou que não conseguia entender os “apagões” de memória que sofria depois de consumir pouca quantidade de álcool. “Eu perguntava para ele porque que eu tinha perdido a memória se eu tinha bebido tão pouco. Ele falava que não, que eu tinha bebido muito“, relatou. Outra mulher disse que desconhecia o uso de medicamentos controlados. “Eu não tinha conhecimento do uso de medicamentos controlados. Eu nunca vi esses medicamentos na minha casa“, afirmou.
Uma terceira vítima falou que suspeitava da presença dos remédios, mas acreditava na explicação dada pelo parceiro. “Eu sempre via calmantes nos pertences do meu namorado, mas ele afirmava que tinha dificuldades para dormir e que os medicamentos foram dados pela mãe“, afirmou. Outra mulher relatou que sequer sabia que estava consumindo medicações junto com bebidas alcoólicas. “Eu não sabia que tomava bebida alcoólica com medicamentos controlados“, declarou.

Nesta semana, o marido de uma das vítimas foi preso e confessou os crimes em depoimento à polícia. Em seu relato, ele admitiu ter utilizado medicamentos para dopar a companheira. “Peguei quatro, triturei, misturei em um copo com água e dei para ela tomar“, detalhou.
Até agora, cinco homens foram identificados. Quatro estão presos e um responde em liberdade. Os suspeitos são dos estados do Pará, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. A Polícia Federal afirma que ainda apura a participação de outros brasileiros ligados ao esquema internacional.
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