Secretaria de Segurança Pública afirma que a morte é investigada como suspeita, enquanto a advogada da mãe cobra responsabilização
Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro. Caso você seja vítima deste tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.
Um caso que vem chocando o país está sob investigação: uma criança de três anos identificada como Gustavo Veloso Feitosa foi encontrada morta na casa do pai, em Palmas, capital do Tocantins, no início desta semana. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a criança sofreu múltiplas agressões e violência sexual. A Polícia Civil do Tocantins investiga as circunstâncias da morte e apura a possível participação do pai do menino, Igor Gustavo Veloso de Souza.
Enquanto isso, a defesa da mãe da criança, Sabrina Feitosa, pede a prisão preventiva do suspeito. Em nota divulgada nesta quarta-feira (5/8), a advogada Stella Bueno afirmou que ele é investigado e tratado como o principal suspeito do caso. O pedido foi apresentado após a divulgação do laudo. O exame também não teria identificado elementos compatíveis com a versão inicial de afogamento apresentada pelo pai.
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A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) informou ao portal LeoDias que a 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa de Palmas instaurou um inquérito na última segunda-feira (3/8) para esclarecer as circunstâncias da morte.
De acordo com a SSP, o pai compareceu à 1ª Central de Atendimento da Polícia Civil durante a tarde para comunicar o óbito. Em seu relato, ele disse que havia encontrado o filho sem vida ainda pela manhã e que demorou algumas horas para procurar as autoridades por estar emocionalmente abalado. Durante os primeiros levantamentos na residência, no entanto, os investigadores identificaram elementos que fizeram com que a ocorrência passasse a ser tratada como “morte suspeita”. Familiares e testemunhas prestaram depoimentos, enquanto a perícia foi acionada para realizar os exames necessários.
A apuração tramita sob sigilo. Por esse motivo, a SSP informou que não divulgará novos detalhes enquanto as diligências estiverem em andamento, a fim de não comprometer o trabalho da Polícia Civil.
Questionamentos sobre convivência com o pai
Na nota mais recente, Stella Bueno também esclareceu que as visitas de Gustavo ao pai não aconteciam por uma decisão informal ou irresponsável de Sabrina. Segundo a advogada, o regime de convivência havia sido determinado judicialmente.
A defesa acrescentou que impedir o contato entre pai e filho poderia resultar em uma acusação de alienação parental e até colocar em risco a guarda da criança. O posicionamento foi divulgado após questionamentos direcionados à mãe sobre o motivo pelo qual o menino continuava visitando o pai.
A advogada pediu cautela na divulgação do caso e afirmou que narrativas de culpabilização materna não devem ser reproduzidas. Também informou que, em momento oportuno e respeitando o sigilo da investigação, pretende apresentar detalhes sobre o contexto de violência doméstica que, segundo a defesa, era enfrentado por Sabrina.
Registros divulgados anteriormente mostram Gustavo chorando e demonstrando resistência antes de ir para a casa do pai. Ao ser questionado pela mãe, o menino afirmou que era agredido. A defesa de Sabrina também relatou que a criança já teria retornado machucada de outras visitas e que a família vivia sob medo e ameaças.
Versão apresentada pelo suspeito
Igor Gustavo afirmou que a criança teria começado a se afogar na piscina da residência no último domingo (2/8) e recebido atendimento no próprio local. Segundo essa versão, a criança foi colocada para descansar e encontrada sem sinais vitais na manhã seguinte.
O suspeito, que é advogado, alegou também que depois de sair de casa abalado, se apresentou espontaneamente à delegacia, prestou depoimento e entregou as chaves da residência para os trabalhos policiais e periciais. Ele foi ouvido e liberado.
Apesar dessa versão, o delegado responsável pela investigação já havia declarado que os primeiros indícios encontrados não sustentavam integralmente o relato inicial. A Polícia Civil busca determinar as circunstâncias da morte e identificar eventuais responsáveis.
Gustavo foi velado e sepultado na última terça-feira (4/8), sob forte comoção de familiares e amigos. A mãe pediu justiça pelo filho. A reportagem do portal LeoDias tenta contato com Sabrina Feitosa, com a irmã do menino, Cirlene Feitosa, e com a advogada Stella Bueno. O espaço permanece aberto para manifestações.






