Márcia Goldschmidt participou do “Programa Flávio Ricco”, da LeoDias TV, nesta quarta-feira (5), e relembrou momentos marcantes de sua trajetória na televisão. A apresentadora falou sobre a saída do SBT, uma conversa com Silvio Santos, a carreira e um episódio vivido ao vivo na TV.
Márcia Goldschmidt abriu o jogo sobre grandes momentos de sua carreira. A apresentadora participou do “Programa Flávio Ricco”, da LeoDias TV, nesta quarta-feira (5), e revelou os bastidores de sua vida na televisão. Fenômeno de audiência no SBT nos anos 90, Márcia relembrou a conturbada saída da emissora, além de uma conversa que teve com Silvio Santos. Ela também falou sobre a possibilidade de voltar às telinhas e recordou o momento em que ficou refém de um homem armado ao vivo.
No programa, Márcia relembrou a passagem pelo SBT e afirmou que decidiu pedir a rescisão do contrato porque não aceitava permanecer afastada do ar. “Eu estava humilhada. Eu estava sem programa, eu estava na geladeira. Eu falei para o Silvio: ‘Eu não quero sua esmola, eu quero o salário pelo meu trabalho’. E ele: ‘Mas nós não rescindimos contratos’”, recordou.
“Eu falei: ‘Mas eu quero rescisão, porque tudo que eu fiz para você foi te dar audiência’. Tivemos uma conversa bastante complicada e ele me falou assim: ‘O dia que você conseguir um contrato, eu te libero’. Claro que eu não ia conseguir contrato nenhum, estava um ano e meio fora do ar. Todo mundo da imprensa rindo da minha cara, ‘vamos chutar cachorro morto’. Você sabe muito bem que tinha grandes nomes que me odiavam por causa não de mim, da minha pessoa, mas por causa do sucesso que eu fiz. Eles se incomodaram muito”, acrescentou.
Márcia contou que a gota d’água foi durante sua participação no Teleton, em setembro de 2000. Mesmo contratada do canal, ela simplesmente não foi escalada para a maratona da AACD. “Quando teve o Teleton, eu liguei para a Paula Cavalcanti, que na época era diretora de produção. Eu falei: ‘Paula, qual horário que é a minha participação no Teleton?’. Ela falou: ‘Você não está convocada na escala’. Eu falei: ‘Eu vou convocar uma coletiva de imprensa e vocês vão conhecer um outro lado meu’”, relembrou.
No dia seguinte, a diretora ligou e confirmou a escalação para as 4h30 da manhã. Mesmo ciente do horário ingrato, Márcia compareceu, e acabou surpreendida com uma proposta da Gazeta. “Eu fiz e voltei à noite para o encerramento. Quando eu desci do carro, o pessoal da Gazeta estava me esperando […] e eles falaram assim: ‘Nós queríamos te convidar para assumir o ‘Mulheres’ a partir de segunda-feira. Você tem contrato com o SBT?’, isso era sábado à noite. Eu falei: ‘Não…’. Mas eu tinha. Nem perguntei quanto eles iam me pagar, eu queria recuperar minha dignidade profissional”, detalhou.

Na segunda-feira, horas antes de entrar no ar, na sede da nova empresa, Goldschmidt ainda não havia conseguido uma reunião com Silvio Santos. O apresentador tinha gravação naquele dia e não poderia atendê-la. Por sorte, tudo foi resolvido com um bilhete que foi colocado pela secretária de Silvio, embaixo da porta do camarim do apresentador, relembrando a promessa de que a liberaria em caso de contrato de um canal concorrente. “Ele devolveu pra ela escrito assim: ‘É verdade’. Aí eu assinei o contrato e entrei no ar”, narrou. Com o sucesso à frente do vespertino, Márcia acabou sendo chamada pela Band, onde ficou mais de 6 anos e foi responsável por números históricos de audiência.
Retorno à TV
Questionada sobre um possível retorno à televisão, ela explicou que não descarta completamente a ideia, mas acredita que o modelo tradicional perdeu espaço. “Às vezes as circunstâncias acontecem, mas o caráter não pode mudar em função da circunstância. Deixei a porta escancarada na Band, tenho propostas. Mas não [penso em voltar]“, decretou.
Ela ainda explicou o motivo: “Certeza a gente não tem de nada, mas eu gostaria de fazer temporada, algo no streaming. Eu não acredito mais na ditadura do relógio. Eu acho que o problema da televisão, além do grande problema da crise de talentos, de criatividade… a televisão não se adequa mais ao mundo atual, ela quer te engessar na grade dela e eu acho que as pessoas não têm mais tempo pra isso”.
Invasão ao vivo
Durante a entrevista, a apresentadora também relembrou o episódio vivido em 2004, quando um homem armado invadiu o programa “Jogo da Vida” e a manteve refém ao vivo. Ela contou que conseguiu seguir calma durante a transmissão, mas que o desespero veio depois. “Eu tenho autocontrole. Em situação de crise eu sou imbatível, mas passou a crise, eu desmonto. Eu gritava à noite, por uma semana, eu quis largar a televisão. Eu olhava e pensava: ‘Ele vai dar um tiro, acabou’. Nós fomos ousados e conseguimos tirar do ar e colocar o VT. Quando ficamos só eu e ele, a polícia entrou”, contou.

Márcia explicou que o invasor havia procurado a produção para participar de um quadro do programa, mas o pedido foi recusado porque envolvia uma disputa judicial pela guarda das filhas. “Ele quis participar de um quadro do programa e ele queira ver os filhos, mas ele tava com medida restritiva. Ele queria confrontar a mulher, só que quando a gente tem um caso que envolve medida judicial, a gente não pode levar pro ar. Então, a produção falou que não podia fazer e ele ficou com raiva e invadiu o programa”, detalhou.
Anos depois, o homem procurou a apresentadora para pedir desculpas, mas ela disse que não conseguiu perdoá-lo: “Ele foi me pedir perdão. Acharam o cara, ele foi condenado”, contou. Em seguida, ela completou: “Ele pediu perdão e eu não perdoei. Vou ser hipócrita? Não, segue a sua vida, mas o meu perdão você não vai ter. Dramas todos temos, o dia que dramas começarem a justificar atos falhos e criminosos, o mundo tá perdido”.
Assista à íntegra:
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