Tamara Klink se retratou após pedir que os leitores não comprassem seu livro “Bom Dia, Inverno”. A velejadora reconheceu que errou ao fazer a declaração e afirmou que não considerou o impacto da fala sobre autores, editoras, livrarias e toda a cadeia do mercado editorial.
A velejadora Tamara Klink se manifestou neste domingo (9) após fazer um vídeo pedindo aos leitores que não comprassem seu livro “Bom Dia, Inverno”, publicado pela Companhia das Letras. A autora reconheceu que errou com a atitude que tomou e afirmou que não levou em conta o impacto da declaração sobre toda a cadeia do mercado editorial.
“Daqui do mar, soube da dimensão que o vídeo dos livros tomou e sinto muito. Obrigada a todos que se dispuseram a escrever. Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores, pequenos, grandes e independentes. Sou leitora antes de ser autora e não levei em conta toda a cadeia que alimenta as editoras. Agradeço a cada um que faz a leitura ir mais longe do que a prateleira”, escreveu ela no Instagram.
A escritora afirmou que passou a enxergar outras perspectivas sobre a questão: “Nesses dois dias, soube de muita gente defendendo os livros, as editoras, os autores, as vendas, as bibliotecas, as livrarias, os sebos, as anotações, o apego, os acervos familiares, o acesso, a preocupação ambiental, o compartilhamento, e os exemplares que atravessam gerações de mil maneiras”.
Tamara encerrou a retratação com um agradecimento a todos que trabalham para ampliar o acesso à literatura. “Obrigada a todos que colocam energia para os livros chegarem aos leitores em todo canto, antes, hoje e no futuro”, finalizou ela.

Entenda o caso
A declaração veio após a repercussão de um vídeo publicado pela escritora, no qual ela pediu que os leitores evitassem comprar novos exemplares de “Bom Dia, Inverno”. O livro está entre os mais vendidos do país há cerca de três meses e, atualmente, ocupa a terceira posição na lista da Amazon, atrás de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos.
Na publicação, Tamara explicou que sua preocupação estava relacionada ao impacto ambiental da produção de livros físicos. Segundo ela, a fabricação de novos exemplares envolve o uso de papel e energia, e os leitores poderiam contribuir para a circulação da obra por meio de empréstimos e doações.
“Já tem muitos livros de Bom Dia, Inverno circulando pelo Brasil. Se vocês puderem, tiverem acesso a uma biblioteca ou tiverem pessoas da família, colegas, pessoas do trabalho, façam os livros circularem. É para isso que eles existem”, afirmou.
A autora também destacou que considerava triste quando um exemplar ficava em uma biblioteca e era lido apenas uma vez. “É muito triste, para um livro, acabar em uma biblioteca e só ser lido uma vez. Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta pela natureza para esse livro existir”, falou.
Assista ao vídeo abaixo:
A escritora e navegadora Tamara Klink publicou um vídeo pedindo para que as pessoas não comprem mais o seu livro “Bom dia, Inverno” para que os exemplares já existentes circulem entre os leitores.
O livro detalha sua experiência de isolamento ao passar oito meses sozinha em um… pic.twitter.com/49bJV5qwRN— Katharina Gurgel (@Kathgurgel) August 7, 2026
A declaração recebeu críticas de jornalistas e escritores, que apontaram que a fala poderia ignorar as dificuldades enfrentadas pelo mercado editorial e pelos profissionais que dependem da venda de livros.
“Bom Dia, Inverno” chegou às livrarias em maio. O livro traz o relato de Tamara Klink sobre a preparação e os oito meses que passou isolada em um veleiro no Ártico, entre outubro de 2023 e maio de 2024. Durante a viagem, a escritora permaneceu no mar congelado da Groenlândia e teve comunicação mínima com o restante do mundo.
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