As negociações para “Barbie 2” enfrentam um impasse que coloca a sequência em risco. Segundo a Variety, a Warner Bros. e o grupo com Margot Robbie, Ryan Gosling e Greta Gerwig não fecharam contrato, enquanto o prazo para o estúdio manter os direitos da franquia com a Mattel se aproxima do fim.
As negociações para a produção de “Barbie 2” enfrentam um impasse que pode colocar em risco a sequência do maior sucesso da história da Warner Bros. O estúdio e a equipe responsável pelo primeiro longa ainda não chegaram a um acordo sobre os novos contratos, enquanto a janela para manter os direitos sobre a franquia se aproxima do fim. A informação foi publicada pela Variety nesta quarta-feira (12), após o The New York Times revelar que o projeto estava ameaçado justamente pela paralisação das conversas.
Segundo a publicação, o grupo criativo formado por Margot Robbie, Ryan Gosling, Greta Gerwig e Noah Baumbach recebeu mais de seis propostas da Warner Bros. nos últimos três anos, mas nenhuma foi aceita até agora.
O principal ponto de discordância envolve a remuneração dos profissionais. De acordo com fontes ouvidas pela Variety, os quatro nomes buscam aumentos nos valores recebidos antecipadamente e, em alguns casos, uma participação maior nos lucros do filme.
Ryan Gosling, que interpretou Ken, estaria pedindo US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 103,86 milhões) para retornar ao papel. Já Margot Robbie, além de reassumir a personagem Barbie, também participa como produtora. No primeiro filme, ela teria recebido US$ 50 milhões (cerca de R$ 259,66 milhões) entre salário e participação nos lucros, embora uma fonte ligada ao estúdio tenha afirmado que a remuneração final ficou ainda acima desse valor.
Greta Gerwig, responsável pela direção e coautora do roteiro, também teria recebido dezenas de milhões de dólares pelo primeiro longa. Para a sequência, toda a equipe, incluindo o co-roteirista Noah Baumbach, estaria interessada especialmente em melhorar os termos de participação nos resultados.

A Variety afirma, porém, que o grupo não está pedindo participação na bilheteria desde o primeiro dólar arrecadado, modelo que permitiria aos envolvidos receber antes mesmo de o estúdio recuperar os investimentos. Uma fonte ouvida pela publicação resumiu o impasse: a equipe criativa estaria disposta a seguir adiante, mas o acordo precisa ser considerado vantajoso para os dois lados.
O problema ganhou ainda mais urgência porque a Warner Bros. teria aproximadamente quatro meses para colocar uma nova produção de “Barbie” em desenvolvimento ativo. Caso contrário, os direitos da personagem voltariam para a Mattel.
Isso significa que, se um acordo não for fechado nesse período, a fabricante de brinquedos poderia retomar o controle da propriedade intelectual. Dessa forma, o material desenvolvido por Greta e Noah para uma possível continuação não poderia simplesmente ser aproveitado.
Apesar do impasse, a Variety confirmou com duas fontes que Greta e Noah já têm uma ideia para a sequência. O projeto, no entanto, não avançará publicamente enquanto os contratos não estiverem assinados.
A dificuldade nas negociações chama atenção porque o primeiro filme se tornou um fenômeno mundial. Lançado em 2023, “Barbie” arrecadou mais de US$ 1,4 bilhão nas bilheterias, transformando Greta Gerwig na diretora feminina de maior sucesso comercial da história. O longa também se tornou a maior bilheteria da história da Warner Bros., o que faz com que o possível fim da parceria com a equipe original seja considerado um grande risco dentro do próprio mercado cinematográfico.

O curioso é que os contratos originais de Greta, Margot, Ryan e Noah não teriam incluído obrigações para uma sequência. As negociações foram feitas sob uma administração diferente da atual Warner Bros., antes de o estúdio saber a dimensão que “Barbie” alcançaria.
Na época, a diretora ainda tinha uma filmografia menor e não havia dirigido uma grande produção baseada em uma propriedade intelectual. Depois do sucesso do filme, porém, o cenário mudou completamente.
No centro da disputa está David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery. Segundo fontes ouvidas pela Variety, ele seria a principal figura contrária aos valores considerados necessários para reunir novamente o elenco e a equipe criativa.
Executivos e profissionais de outros estúdios teriam demonstrado surpresa com a situação, especialmente diante do potencial comercial de uma continuação. Uma das fontes teria questionado: “Como não seria do interesse dos acionistas da WBD ter uma sequência do maior filme da história do estúdio?”.

O momento também é delicado para o CEO. Caso a aquisição da Warner Bros. pela Paramount avance, o executivo poderá deixar o comando da companhia com uma negociação bilionária em andamento.
A situação não preocupa apenas a Warner. A Mattel também tem interesse direto na continuidade do projeto, já que “Barbie” foi um dos grandes responsáveis pelo fortalecimento da marca nos cinemas.
Depois do salto nas vendas relacionado ao lançamento do filme em 2023, as vendas das bonecas Barbie recuaram. A empresa anunciou recentemente planos para reposicionar a personagem como um ícone fashion, com maior investimento em roupas e acessórios. Nesse cenário, a presença de Margot Robbie, que se tornou uma das figuras mais associadas à personagem e à estética do filme, poderia ser estratégica para uma nova fase da marca.
Um possível caminho para a sequência estaria ligado à própria mudança de controle da Warner. Caso David Ellison consiga concluir a aquisição da companhia, ele poderia reabrir as negociações com a Mattel e tentar reunir novamente Gerwig, Robbie, Gosling e Baumbach.
Uma fonte ouvida pela Variety chegou a apostar que esse poderia ser “o primeiro acordo” de Ellison caso ele assuma o comando. Por enquanto, representantes dos envolvidos não quiseram comentar as negociações com a revista.
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