Uma bebê brasileira é localizada no Paraguai após ser sequestrada no Mato Grosso do Sul. A criança foi encontrada durante uma operação conjunta das polícias brasileira e paraguaia, que investigaram o desaparecimento.
Após sete dias de muita angústia, Raquele, de 17 anos, finalmente reencontrou a filha, Ayla, que havia sido sequestrada no Mato Grosso do Sul. De acordo com o “Fantástico”, em reportagem exibida neste domingo (16), a bebê foi localizada no Paraguai durante uma operação que envolveu as polícias brasileira e paraguaia. A investigação apontou que a criança teria sido levada para outro país por uma mulher que inventou uma identidade e uma história para conseguir se aproximar da adolescente.
A suspeita foi identificada como Suzilaine da Graça Costa. Antes de ser descoberta, ela se apresentava como “Carol” e dizia ter um bebê. As duas teriam se conhecido em um grupo de doação de roupas e fraldas, em um aplicativo de mensagens. Depois de conquistar a confiança de Raquele, Suzilaine ofereceu um trabalho de babá pelo valor de R$ 100. “Eu pensei comigo que eu ia conseguir comprar as coisinhas da neném, ajudar minha avó também”, contou Raquele.
Conforme o dominical, o encontro aconteceu em 6 de agosto. Raquele foi até a casa indicada pela mulher acompanhada da irmã, de 12 anos. No início, nada chamou a atenção das adolescentes. A suspeita ofereceu água às duas e, depois, chamou Raquele para conhecer outra parte do imóvel.
Foi nos fundos da residência que a situação mudou. Ao entrar em uma segunda construção, a jovem encontrou um homem, que, segundo seu relato, tentou fazê-la desmaiar. Ela fingiu ter perdido a consciência, mas acabou sendo amarrada. A polícia acredita que o imóvel tenha sido alugado pela própria Suzilaine para que o crime fosse cometido. Ela não morava no local e teria contratado o espaço do homem que estava na residência.

Conforme Raquele, os suspeitos disseram que o sequestro teria relação com uma suposta dívida do pai de Ayla. A adolescente também foi ameaçada caso tentasse pedir ajuda. “Eles falaram que se eu chamasse a polícia, depois ia matar alguém da minha família”, recordou ela.
A tia da jovem localizou Suzilaine após o desaparecimento de Raquele e sua irmã. Inicialmente, a suspeita afirmou que elas já haviam deixado o imóvel e chamado um carro por aplicativo. Depois, mudou a versão e disse que Raquele teria ido para a casa do pai da bebê. As duas, na verdade, foram deixadas vendadas em um terreno próximo à residência. Quando conseguiram voltar para casa, a família denunciou o caso à polícia e a tia ainda enviou uma mensagem para a suspeita, fazendo um apelo pela criança. “Entrega a neném, pelo amor de Deus”, pediu.
Durante as investigações os policiais descobriram que “Carol” nem sequer existia, e que a identidade usada pela mulher era falsa. Uma das pistas mais importantes para encontrar Ayla veio da própria família da suspeita. De acordo com a polícia, a filha de Suzilaine chegou do trabalho e encontrou a bebê dentro de casa. Ao perguntar sobre a criança, ouviu que ela seria a bebê de uma amiga que a mãe estaria ajudando.
A jovem, porém, viu as notícias sobre o desaparecimento de Ayla e começou a desconfiar que a menina poderia ser justamente a criança procurada. Ela questionou novamente a mãe e pediu que a bebê fosse retirada da casa. Com a situação se complicando, Suzilaine teria trocado as roupas de Ayla, colocado um body azul, substituído o bebê-conforto e chamado um carro de aplicativo. A suspeita deixou Campo Grande e seguiu em direção à fronteira com o Paraguai.
A polícia brasileira acompanhou o trajeto e percebeu que a mulher passava por cidades que levavam até Pedro Juan Caballero. As autoridades brasileiras entraram em contato com a polícia paraguaia, que passou a ajudar nas buscas.
A suspeita conseguiu entrar no Paraguai por uma região sem posto de fronteira e chegou a Pedro Juan Caballero, cidade próxima a Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Os investigadores localizaram a casa para onde ela havia levado Ayla, localizada em um bairro residencial. O imóvel havia sido alugado por Suzilaine e pelo companheiro, Alex Melo de Abreu, cerca de três meses antes.

Após a confirmação de que a bebê estava na residência, foi solicitado um mandado de busca. A operação contou com 15 policiais paraguaios e terminou com o resgate da pequena. Alex também foi preso. Segundo as autoridades, ele estava usando documentação falsa e era foragido da Justiça brasileira por homicídio. Em depoimento, o homem alegou que acreditava ser o pai de Ayla e contou que havia comprado roupas e outros itens para a bebê.
Para os investigadores, Suzilaine teria feito tudo para sustentar uma falsa gravidez e tentar salvar o relacionamento com Alex. Os dois haviam terminado e reataram depois que a suspeita contou que estava grávida. Conforme os investigadores, o homem tinha o sonho de ter uma menina.
A investigação apontou que Suzilaine já teria acompanhado de perto a rotina de outra gestante antes do sequestro de Ayla. A mulher também esperava um bebê que nasceria em um período semelhante ao da pequena, mas o filho seria um menino. De acordo com a polícia, a suspeita teria elaborado diferentes histórias e até criado personagens fictícios na tentativa de confundir as autoridades e atrapalhar a apuração do caso.
“O único depoimento que não coincidiu com os outros foi o dela. [Ela] continuou trazendo personagens na história, pessoas que não existiram, para dificultar toda a nossa linha de raciocínio”, afirmou um investigador.

A operação resultou na prisão de Suzilaine e Alex, que seguem detidos. O homem responsável pelo aluguel do imóvel onde Ayla teria sido mantida também foi preso. Em comunicado, o advogado dele declarou que o cliente apenas havia cedido o espaço e que não teria qualquer envolvimento com o sequestro. Em depoimento às autoridades, Suzilaine rejeitou as acusações de ter simulado uma gravidez e de ter levado a bebê.
Depois de uma semana de buscas, a família finalmente pôde voltar a ficar com Ayla. Agora, segundo Raquele, o foco é cuidar da filha após todo o período de angústia. “Estou muito feliz, porque recuperei minha bebê”, concluiu.
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