Justin Chatwin, que contracenou com Hayden Panettiere na série “Heroes” e no filme “Sleepwalker” (2025), revelou como a atriz estava nos bastidores do último longa que gravou antes de falecer. O ator contou pelo que a artista passava e as confidências feitas por ela sobre vício e depressão.
Justin Chatwin, que contracenou com Hayden Panettiere na série “Heroes” e no filme “Sleepwalker” (2025), contou que a atriz parecia estar “sofrendo” e “muito sozinha”. À revista People, nesta segunda-feira (17), o ator relatou a experiência de trabalhar com a artista no último longa-metragem dela antes de sua morte, aos 36 anos. Ele ainda reconheceu como a premissa da produção pode ter impactado Hayden.
Conforme a sinopse do thriller psicológico “Sleepwalker”, Panettiere interpretou “uma mãe enlutada, assombrada pela trágica perda de sua filha em um acidente de carro que deixou seu marido abusivo em coma”. Em 2018, a estrela concedeu a guarda da filha Kaya Evdokia Klitschko, de 11 anos, ao ex-companheiro Wladimir Klitschko, no período em que enfrentava a dependência química e a depressão pós-parto.
À revista, Chatwin descreveu como foram os bastidores. “[Eu e Hayden] nos demos muito bem e as filmagens foram ótimas. Mas o tema era violência doméstica, um assunto que talvez tocasse em feridas pessoais, porque ela mencionou isso. Ela se abriu comigo sobre muitas coisas”, disse.
O ator também comparou as experiências ao lado da atriz, salientando como ela havia mudado desde o trabalho em “Heroes”. “Hayden parecia diferente quando a reencontrei desta vez em comparação a quando a conheci no início da carreira. Eu estou sóbrio há 15 anos, então conheço esse mundo do vício e de Hollywood. É um meio que consome a juventude”, analisou ele.

Após o fim da série “Nashville”, em 2018, Hayden ficou cerca de cinco anos sem estrelar nenhuma produção, até sua participação em “Pânico VI” (2023). Na sequência, ela trabalhou em mais três filmes. Neste ínterim, a artista lançou sua autobiografia “This Is Me: A Reckoning” (“Esta Sou Eu: Um Acordo de Contas”, em tradução livre), em que falou abertamente sobre a luta contra o vício em substâncias, episódios de violência doméstica, sua bissexualidade e experiências traumáticas vividas na adolescência.
Chatwin, por sua vez, sentiu que algo estava errado. “Percebi que ela estava passando por dificuldades e pensei: ‘Acho que o problema não é este filme’. Trabalhei com algumas mulheres de quem gostei muito, e adorei trabalhar com ela, mas também sei que ela se sentia muito sozinha”, afirmou.
Segundo o ator, a artista se abriu com ele sobre sua experiência na reabilitação e as “dificuldades que enfrentou com traumas” logo no início do processo de produção de “Sleepwalker”. “Tenho certeza de que todos vão dizer: ‘Nossa, ela é incrível. Ela é uma pessoa tão doce no set’, porque ela era mesmo”, pontuou.
“Mas somos treinados para sermos atores, então estamos atuando no set, sabe? E ela era doce. Ela tinha um coração lindo. Mas somos treinados para estar no personagem, e eu realmente gostei de passar um tempo com ela, porque ela deixou isso de lado e foi autêntica comigo sobre a vida dela e se abriu sobre suas lutas contra o vício. E quem sabe de onde vem isso? Vem de Hollywood? Vem de casa? E muitas vezes, vem dos dois”, avaliou ele.

Por fim, Chatwin revelou como se sentiu ao saber que Hayden teria falecido em decorrência de uma overdose. “Senti tristeza esta manhã, mas agora sinto raiva. Porque quero apontar um culpado por isso, e é algo que continua acontecendo. Ela era encantadora e superaberta, e nos divertimos muito juntos, Fico triste só de pensar que mais uma [pessoa] foi tirada de circulação. Não é a primeira, sabe? Acontece todo ano, cara, e parece que ninguém está realmente lidando com isso”, desabafou.
Brandon Auman, cineasta que escreveu e dirigiu o longa, admitiu que está “completamente devastado com a morte de Hayden”. “Ela era uma pessoa tão brilhante, aberta e com um espírito tão sublime. Fico pensando no nosso tempo no set e em tudo que aprendi com ela. Ela foi aberta e honesta sobre os últimos anos de sua vida e como isso se relacionava com sua personagem. Vou manter essas conversas em segredo, mas fiquei impressionado com a complexidade e a profunda introspecção dela. Ela viveu uma dúzia de vidas em uma única e bela vida. Sentirei saudades dela para sempre”, declarou ele, em comunicado à People.
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