Uma mulher de 25 anos denunciou um instrutor de uma academia em Passarinho, na Zona Norte do Recife, após ser mordida por ele dentro do estabelecimento. O episódio foi registrado por câmeras de segurança e é investigado pela Polícia Civil.
Uma mulher de 25 anos foi mordida por um instrutor da academia que frequenta em Passarinho, na Zona Norte do Recife, em Pernambuco. A ação chegou a ser flagrada por câmeras de segurança. Ao g1, a vítima contou que já tinha reclamado de outras atitudes do homem e afirmou que denunciou o caso à polícia. O instrutor chegou a ser afastado do estabelecimento, mas voltou a trabalhar no local após alguns meses.
A professora, que preferiu não ter a identidade divulgada, frequentava o estabelecimento há aproximadamente um ano quando o episódio aconteceu, no dia 19 de maio. Ela afirmou que já se sentia desconfortável com a maneira como o profissional se comportava perto dela. “Ele passava a mão nas minhas costas e falava coisas para o meu lado e eu nunca dei cabimento, porque eu não conhecia ele. Aí ele dizia ‘é resenha’”, contou.
No dia do episódio, o homem chegou a orientar a jovem durante um exercício, mas voltou até ela e tentou abraçá-la. “Ele disse ‘deixa eu te dar um abraço’ e eu respondi ‘não, me dê um murrinho [na mão], não me abrace, não’. Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação”, descreveu.
A câmera de segurança registrou toda a interação. No vídeo, a professora está perto de uma rampa quando o instrutor se aproxima e a segura pela cintura. Ela balança a cabeça negativamente e tenta escapar. Mesmo assim, ele continua, a morde nas costas e a derruba sobre os próprios braços.
Assista:
Uma professora de 25 anos registrou boletim de ocorrência após relatar ter sido segurada sem consentimento e mordida por um instrutor dentro de uma academia na zona norte do Recife. O episódio foi gravado por câmeras de segurança do local.
(Fonte: g1 | Foto/Vídeo: Reprodução) pic.twitter.com/z3GIuepLBm
— Reinaldo Gottino (@RGottino) August 21, 2026
Inicialmente, a vítima buscou atendimento na Delegacia da Mulher de Olinda, mas foi orientada a formalizar a denúncia no Recife. Depois de registrar o boletim de ocorrência, a professora também levou o caso à direção da academia. Segundo ela, a responsável pelo estabelecimento garantiu que o instrutor seria afastado. Nos três meses seguintes, os dois não voltaram a se encontrar no local.
No entanto, nesta quarta-feira (19), a jovem encontrou o homem novamente trabalhando no estabelecimento. “Eu tinha deixado para lá, e nem tinha divulgado o vídeo nem nada, porque não queria manchar o nome da academia, nem prejudicar ele mesmo. A dona da academia disse que eu estava segura, que não iria mais vê-lo na academia, nem pelas redondezas, porque ele morava longe. Ontem, quando vi, ele estava lá, com a mesma roupa dos outros instrutores”, relatou.

Diante da situação, a professora entrou em contato duas vezes com a delegacia onde havia registrado a primeira ocorrência. Após ser orientada a comparecer pessoalmente, ela foi nesta quinta-feira (20) à Delegacia da Mulher de Santo Amaro, no Centro do Recife. A denúncia foi registrada novamente e passou a incluir o vídeo das câmeras de segurança. A Polícia Civil apura o caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. A vítima também foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) para realizar exame de corpo de delito.
Academia se pronuncia
A ElevaFit afirmou que o instrutor não retornou definitivamente à equipe. Segundo o estabelecimento, alguns profissionais precisaram se afastar por motivos médicos e não foi possível encontrar substitutos. Por isso, o ex-funcionário teria sido chamado “excepcionalmente para a cobertura de duas diárias”. A academia acrescentou que ele informou não ter recebido “qualquer notificação, intimação ou chamado de autoridade relacionado ao episódio”.
Ainda segundo a empresa, a presença do homem ocorreu “de maneira excepcional e temporária, sem qualquer reintegração ao quadro da academia”. A ElevaFit afirmou que desligou o profissional assim que soube do caso, em maio, prestou assistência à aluna e disponibilizou as gravações. “A instituição não compactua com a conduta relatada e permanece à disposição para colaborar com a aluna e com as autoridades competentes. […] A instituição reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar de seus alunos e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários”, declarou.
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