TV aberta precisa reencontrar o público sem esperar pela volta de um passado distante
Recuperar a audiência de outros tempos virou uma espécie de obsessão para a televisão aberta. Mas talvez seja preciso estabelecer um parâmetro mais realista: ninguém está falando em voltar aos números de antes do streaming. O desafio, por enquanto, seria recuperar pelo menos parte do público que existia antes da pandemia.
E não parece haver uma fórmula pronta para isso. A televisão mudou, o comportamento de quem está diante da tela também e a concorrência aumentou. Insistir em fazer tudo exatamente como era pode ser tão pouco eficiente quanto simplesmente abandonar aquilo que funcionava.
Talvez a melhor saída esteja justamente em voltar a olhar para o conteúdo. Programas que tenham identidade, personagens fortes, informação bem apresentada e entretenimento capaz de criar hábito. Mais do que preencher a grade, é preciso oferecer motivos para o telespectador voltar no dia seguinte.
Também seria necessário recuperar a capacidade de criar acontecimentos. A TV aberta sempre teve essa força: aquilo que ela colocava no ar conseguia pautar conversa, gerar repercussão e atravessar diferentes públicos. Hoje, muitas vezes, falta esse poder de mobilização.
O streaming veio para ficar, as redes sociais também e não existe caminho de volta. Mas isso não significa que a televisão aberta precise se conformar com uma audiência cada vez menor. O desafio talvez seja menos recuperar o passado e mais descobrir como voltar a ser relevante no presente. É aí que pode estar a audiência que tanta gente procura.

