A acrobata russa Mariia Konfektova, de 28 anos, processou o Cirque du Soleil na última quinta-feira (20), e pediu uma indenização milionária. A ação ocorreu após ela cair de quase 5 metros de altura em um espetáculo nos EUA, em agosto de 2024.
A acrobata russa Mariia Konfektova, de 28 anos, processou o Cirque du Soleil na última quinta-feira (20), após cair de uma altura de 4,5 metros durante uma apresentação do espetáculo Kooza, em Portland, Estados Unidos. O acidente aconteceu há dois anos, e agora ela pede uma indenização de US$ 16,75 milhões (cerca de R$ 86 milhões).
A denúncia afirmou que o Cirque du Soleil não forneceu equipamentos adequados para reduzir os impactos de uma eventual queda, como colchões ou redes. Mariia também alegou que havia manifestado preocupações sobre a estrutura do aro e que foi demitida após retornar ao trabalho e continuar questionando as condições de segurança.
Segundo o jornal americano The Oregonian, a acrobata fraturou 11 ossos, e segue com vários problemas de saúde, como uma concussão, visão dupla, além de fraturas na lombar, no pulso, no crânio e em sete ossos do rosto.
À época do acidente, o Cirque du Soleil informou que a artista havia batido a cabeça e sido hospitalizada. Conforme a companhia, ela estava “se recuperando e recebendo cuidados” das equipes médica e de treinamento. Na ocasião, porém, a empresa não detalhou a extensão dos ferimentos.

Já o processo judicial apontou que o caso de Konfektova está entre os 16 acidentes graves ocorridos em meio a espetáculos do Cirque du Soleil nos últimos 20 anos. A ação destacou que, antes do acidente de Mariia, outros três resultaram na morte de artistas.
O primeiro aconteceu em 2009, em Montreal, seguido por outro em Las Vegas, em 2013, e Tampa, em 2018. Quase todos os acidentes envolveram quedas que variaram de 3 a 28 metros. Os advogados da acrobata chegaram a compartilhar fotos dela ao jornal logo após o acidente. [Atenção! Imagens fortes] Clique aqui para ver.
O Cirque du Soleil, com sede no Canadá, e sua empresa norte-americana associada, que realiza turnês pelos EUA, constam como réus no processo. Marc-Étienne Nolin, porta-voz do grupo de entretenimento, optou por não entrar em detalhes, alegando que o grupo não comenta assuntos jurídicos.
O acidente ocorreu em 24 de agosto de 2024. Cerca de meia hora após o início do espetáculo, às 19h (horário local), Konfektova colocou um dos pés em um aro que circulava o chão da arena, levantou a outra perna para fazer um espacate e, de repente, escorregou, caindo no chão e ficando de bruços. Pessoas que estava no local registraram o momento trágico. Assista:
Aproximadamente dois anos antes da queda, a divisão de Segurança e Saúde Ocupacional do Oregon, conhecida como OSHA, “aconselhou os membros do Cirque du Soleil a adicionarem medidas de proteção contra quedas, como colchões ao redor das áreas de apresentação”, afirmou o processo.
Após abrir um inquérito sobre a queda de Mariia, a OSHA declarou que o Cirque du Soleil não conduz investigações eficazes sobre os acidentes de seus artistas. A empresa foi multada em cerca de US$ 8.000 (cerca de R$ 41 mil). A companhia recorreu de pelo menos uma das multas. Já na última quinta (20), um porta-voz da OSHA informou que o recurso ainda está pendente.
Mariia Konfektova é recordista mundial do Guinness por realizar o maior número de rotações (75) sentada em um aro aéreo em 30 segundos. Nas redes sociais, ela compartilha sua rotina de treinos e apresentações como acrobata.
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