Harry Styles falou à W Magazine, nesta terça-feira (25), sobre a pausa de quase quatro anos entre turnês e a nova fase da carreira. Em entrevista a Julio Torres, o cantor refletiu sobre a fama, a vida longe dos palcos e sua conexão com os fãs, dias antes do começo da residência em Nova York.
Nesta terça-feira (25), a W Magazine revelou a capa estrelada pelo ícone do pop Harry Styles, em celebração à residência do britânico em Nova York com a “Together Together Tour“. Prestes a realizar 30 shows esgotados no Madison Square Garden, o artista abriu o jogo sobre o período longe dos holofotes e refletiu sobre sua conexão com os fãs.
Em conversa com o comediante Julio Torres, que escreveu um dos sketches de Styles para o “Saturday Night Live“, em 2019, Harry admitiu que precisava de um tempo longe dos palcos para processar as experiências vividas durante a “Love On Tour”. “Os fãs sempre foram muito generosos emocionalmente comigo. Sinto isso agora mais do que nunca, depois de ter ficado um tempo longe dos palcos. Quando você está perto de algo o tempo todo, aquilo acaba ficando banal, como comer sua comida favorita todos os dias. A pausa ressignificou tudo. O preto é mais impactante sobre o branco”, refletiu.
Styles passou por uma pausa de quase quatro anos entre o fim da colossal “Love On Tour”, que durou impressionantes 22 meses, de 4 de setembro de 2021 a 22 de julho de 2023, e o início da nova era. Ao longo da turnê, o cantor passou pela América Latina, Estados Unidos, Europa e outras regiões, realizando mais de 169 shows e encerrando a era “Harry’s House” com uma apresentação para mais de 100 mil fãs na RCF Arena (Campovolo), em Reggio Emilia, na Itália.
Para o cantor, o período entre a turnê e a era “Kiss, All The Time. Disco, Occassionally” foi necessário para que pudesse se reconectar consigo mesmo longe dos palcos. “Durante o período em que fiquei longe das turnês, reguei um lado da minha vida ao qual não tinha prestado muita atenção antes. Como comecei muito jovem, as turnês se tornaram uma parte enorme de quem eu era. Eu me sentia bastante desconfortável quando passava longos períodos em casa. Às vezes, eu não sabia o que fazer comigo mesmo”, admitiu.
“Agora me sinto muito sortudo por ter esse trabalho incrível e esse ambiente criativo, mas também por ter essa vida fora dele, que estou animado para viver e aproveitar. Não sei se eu tinha isso antes”, pontuou.
O astro reforçou, ainda, que hoje consegue separar melhor a vida pessoal da profissional e que já não se sente tão intimidado pela possibilidade de parar. “A ideia de não estar em turnê já não me assusta tanto. É muito especial estar vivendo isso, mergulhar nisso, e ter consciência de que não vai durar para sempre. Não vem acompanhada daquele existencialismo que costumava existir, quando eu pensava: ‘Quem sou eu se não faço isso?’. Hoje me sinto um pouco mais confortável com quem sou quando não estou fazendo isso, o que torna as turnês muito mais prazerosas”, refletiu.

Harry também falou sobre sua relação com a fama e sobre como a exposição afetou sua identidade, especialmente durante os anos no One Direction. “É preciso ter confiança para ser um artista tão exposto ao público, dar um passo para trás e ficar bem com a ideia de desaparecer por um tempo. Quando eu estava crescendo, se alguém não tinha um projeto, você não ouvia falar dessa pessoa. Então, de repente, as redes sociais chegaram com essa ideia de: ‘Ah, nós deveríamos saber o que as pessoas estão fazendo todos os dias de suas vidas’. Acho que, em algum momento, o trabalho sofre com isso, com essa reflexão constante, mas sem nunca absorver as coisas”, pontuou.
“Uma grande parte dessa pausa foi sobre recalibrar a imagem que eu tinha de mim mesmo e que sentia estar absorvendo acidentalmente o tempo todo — uma imagem que era constantemente refletida de volta para mim, mas que eu necessariamente não queria. É algo tão antinatural ter a percepção que outras pessoas têm de você sendo apresentada o tempo todo. No final da última turnê, eu estava um pouco preso na minha própria cabeça, andando pelo mundo e muito consciente de como tudo estava sendo percebido. Tipo: se eu me movesse assim, ou se eu fizesse isso — era tudo muito de fora para dentro”, afirmou.

Harry utilizou a pausa como uma oportunidade para se desprender da imagem de “pop star” projetada pelo público e encontrar felicidade para além da música — algo que também acabou refletindo na maneira como criou as canções do novo álbum. “Grande parte desse tempo longe dos holofotes foi sobre voltar a viver de dentro para fora. Com o trabalho também foi assim: ‘Como faço algo que eu realmente ame sem pensar no que esperam de mim ou no que as pessoas querem de mim?’. Existe um ciclo quando alguém cria algo que se conecta com as pessoas. Aquilo se torna um sucesso comercial e, então, tudo o que dizem que você é começa a afastá-lo da versão de si mesmo que conseguiu criar algo a partir de um lugar genuíno”, declarou.
O britânico também falou sobre a atmosfera dos shows e sobre como passou a compreender que a experiência não é apenas sobre ele, mas sobre a conexão criada coletivamente. “Existe uma ênfase muito grande em dizer que tudo isso é sobre mim. É uma relação muito complexa para se ter consigo mesmo. Uma das melhores coisas que alguém já me disse é que os comentários, tanto os bons quanto os ruins, não são verdadeiros. Algumas pessoas vão dizer que você é a melhor coisa do mundo, e isso não é verdade. Outras vão dizer que você é terrível, e isso também não é verdade. Quando você é mais jovem, existe esse desejo de ser grandioso, e é mais difícil rejeitar as coisas positivas. Quando as pessoas dizem: ‘Ah, isso é ótimo!’, você quer responder: ‘Sério? Você acha que eu sou ótimo?’”, explicou.
“Quando eu era mais jovem, admitir que não era realmente sobre mim teria sido bastante assustador. Agora, na verdade, é muito libertador reconhecer que isso é muito maior do que eu. Nós, como equipe e banda, temos a oportunidade de criar um ambiente para que as pessoas tenham esse momento de alegria. Mas estamos todos ali pela mesma coisa. Se você está no palco, é uma posição muito semelhante à de um Deus. Mas eu não estou guiando vocês até mim. Não estou pedindo que me sigam. Estou dizendo que acredito na mesma coisa em que vocês acreditam, e estamos todos aqui por esse motivo, algo que vai além de mim”, concluiu.
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