Filipe Gomes da Silva, instrutor acusado de morder uma professora em uma academia no Recife, se manifestou por meio de seus advogados. A defesa apresentou uma versão diferente para o episódio, reconheceu comportamento inadequado e negou conotação sexual.
O instrutor que mordeu uma professora em uma academia em Passarinho, na Zona Norte do Recife, em Pernambuco, se manifestou. Por meio de seus advogados, Filipe Gomes da Silva afirmou que ficou surpreso com a denúncia da mulher e apresentou uma versão diferente sobre o caso. Segundo ele, os dois já mantinham uma relação de amizade e a mordida teria sido uma atitude “lúdica e descontraída”.
Em nota divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (24), a defesa negou que o episódio tenha tido qualquer conotação sexual. Segundo os advogados, a professora teria demonstrado desânimo para realizar o treinamento e Filipe teria dito: “Se você não treinar vou lhe morder”. Na sequência, ele mordeu a mulher.
Apesar de contestar a versão da mulher, Filipe reconheceu que ultrapassou limites. A defesa classificou o ocorrido como uma “brincadeira infeliz e despropositada” e afirmou que a conduta extrapolou os limites da relação entre os dois e das normas profissionais. “Por isso assume responsabilidade por tal comportamento inadequado”, disse o posicionamento. O instrutor também declarou que nunca teve qualquer interação sexual com as alunas.
A defesa afirmou que Filipe acreditava ter proximidade com a professora e interpretou de outra maneira a reação dela após o episódio. “Ele e a aluna sempre tiveram uma relação de muita proximidade. Quando ele viu que ela ficou chateada, pediu desculpas e achou que era porque a mordida tinha sido com muita força, mas não imaginou contexto sexual”, declarou.
A vítima, de 25 anos, foi ouvida nesta segunda-feira (24) pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no Recife. O representante da professora afirmou que a Polícia Civil está “bem diligente” na apuração e que depoimentos de testemunhas já foram marcados. O advogado da mulher também prepara uma ação na esfera cível.

A professora ainda comentou a repercussão do caso e lamentou comentários nas redes sociais que sugeriam que ela e Filipe mantinham algum tipo de relacionamento. Segundo a vítima, “as pessoas tinham que entender que o corpo de outra mulher não pode ser tocado se ela não deixar”.
Relembre o caso
A professora, que preferiu não ter a identidade divulgada, contou ao g1 que frequentava o estabelecimento há aproximadamente um ano quando o episódio aconteceu, no dia 19 de maio. Ela afirmou que já se sentia desconfortável com a maneira como o profissional se comportava perto dela. “Ele passava a mão nas minhas costas e falava coisas para o meu lado e eu nunca dei cabimento, porque eu não conhecia ele. Aí ele dizia ‘é resenha’”, contou.
No dia do episódio, o homem chegou a orientar a jovem durante um exercício, mas voltou até ela e tentou abraçá-la. “Ele disse ‘deixa eu te dar um abraço’ e eu respondi ‘não, me dê um murrinho [na mão], não me abrace, não’. Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação”, descreveu.
A câmera de segurança registrou toda a interação. No vídeo, a professora está perto de uma rampa quando o instrutor se aproxima e a segura pela cintura. Ela balança a cabeça negativamente e tenta escapar. Mesmo assim, ele continua, a morde nas costas e a derruba sobre os próprios braços.
Assista:
Uma professora de 25 anos registrou boletim de ocorrência após relatar ter sido segurada sem consentimento e mordida por um instrutor dentro de uma academia na zona norte do Recife. O episódio foi gravado por câmeras de segurança do local.
(Fonte: g1 | Foto/Vídeo: Reprodução) pic.twitter.com/z3GIuepLBm
— Reinaldo Gottino (@RGottino) August 21, 2026
Academia se pronuncia
A ElevaFit afirmou que o instrutor não retornou definitivamente à equipe. Segundo o estabelecimento, alguns profissionais precisaram se afastar por motivos médicos e não foi possível encontrar substitutos. Por isso, o ex-funcionário teria sido chamado “excepcionalmente para a cobertura de duas diárias”. A academia acrescentou que ele informou não ter recebido “qualquer notificação, intimação ou chamado de autoridade relacionado ao episódio”.
Ainda segundo a empresa, a presença do homem ocorreu “de maneira excepcional e temporária, sem qualquer reintegração ao quadro da academia”. A ElevaFit afirmou que desligou o profissional assim que soube do caso, em maio, prestou assistência à aluna e disponibilizou as gravações. “A instituição não compactua com a conduta relatada e permanece à disposição para colaborar com a aluna e com as autoridades competentes. […] A instituição reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar de seus alunos e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários”, declarou.
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