Ronnie Lessa detalhou a ação que matou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em 2018. Em entrevista ao “Doc Investigação”, da Record, o ex-policial militar relembrou a preparação e a execução do crime e falou sobre sua motivação para participar do assassinato.
O ex-policial militar Ronnie Lessa detalhou como foi a ação que matou a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes. O crime aconteceu no dia 14 de março de 2018. Em entrevista ao “Doc Investigação”, da Record, desta quinta-feira (28), Lessa afirmou que ficou “cego” pelo valor de R$ 25 milhões que recebia pelo assassinato, e descreveu toda a sua ação contra a vereadora.
Segundo Lessa, a execução começou a ser preparada meses antes. Ele e o também ex-PM Élcio Queiroz teriam acompanhado a rotina de Marielle durante sete meses. Na noite do crime, a dupla seguiu o veículo da vereadora por cerca de quatro quilômetros. Lessa contou que se posicionou no banco traseiro do carro para conseguir realizar os disparos.
“Eu abaixei o banco e passei pro banco de trás. Aí ficamos esperando ali e eu empurrei o bando todo para frente, pra ficar com um espaço maior. O banco de trás me facilitaria ir pra qualquer um dos lados, tanto a direita quanto a esquerda”, relatou. O ex-policial afirmou que, durante a perseguição, chegou a suspeitar que Anderson tivesse percebido que estava sendo seguido. “O cara (Anderson) andava rápido demais, parecia que ele tinha percebido, mas não tinha como”, acrescentou.

Em determinado momento, o veículo de Marielle parou em um sinal de trânsito. “Aí o Élcio falou: ‘O sinal tá fechado’, e eu mandei parar do lado. Eu tava com uma sub-metralhadora HK MP5. Emparelhou e eu disparei, só que o Élcio não parou o carro”, descreveu. Os tiros acabaram atingindo o motorista da vereadora. Fernanda Chaves, assessora de Marielle que estava no veículo e sobreviveu ao ataque, também relembrou o momento: “Eu me abaixei, eu percebi que o Anderson esboçou dor, falou ‘ai’. A Marielle estava imóvel, eu senti o braço dela por cima de mim, o peso do corpo dela”.
Depois do crime, Lessa e Élcio foram a um bar, onde assistiram a uma partida de futebol e beberam. Lá, eles acompanharam pela televisão a confirmação das mortes de Marielle e Anderson.

Durante a entrevista, Lessa ainda falou sobre o que teria motivado sua participação no crime. “Eu estava cego, estava entorpecido. Eu estava sob uma overdose de ganância, overdose de ambição. Dinheiro”, declarou. Ele também admitiu ter atuado como matador para grupos criminosos, mas afirmou que não foi contratado diretamente pelo bicheiro Rogério Andrade ou por outros contraventores.
No início deste mês, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aumentou as penas dos ex-policiais. A condenação de Lessa passou de 78 para 81 anos de prisão, enquanto a de Élcio foi elevada de 59 para 76 anos de reclusão.
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