Uma adolescente de 16 anos precisou ser internada por conta de uma infecção na axila depois de se depilar com uma lâmina. O caso foi relatado pela mãe, Thai Barde, nas redes sociais e viralizou. A jovem recebeu atendimento hospitalar e teve de passar por uma cirurgia.
Uma adolescente carioca de 16 anos passou por uma situação delicada após sofrer uma inflamação causada por uma depilação na axila. O caso foi compartilhado nas redes sociais por sua mãe, Thai Barde, e viralizou. Segundo a influenciadora, Alice usou uma lâmina para raspar os pelos e, pouco depois, percebeu o aparecimento de uma bolinha, que foi crescendo até ela precisar de atendimento hospitalar.
Em entrevista à revista Crescer, Thai contou que a jovem começou a se queixar de dor logo após a depilação, no dia 31 de julho. Ela percebeu um pequeno caroço, semelhante a um pelo encravado. No entanto, em apenas quatro dias, a lesão aumentou e a influenciadora resolveu levar a filha ao hospital. Lá, ela recebeu o diagnóstico de furúnculo.
Alice recebeu o tratamento indicado, mas as dores continuaram. “Dois dias depois, ela começou a ter febre, o local ficou quente e com roxidão. Eu retornei com ela para a emergência e, após o exame de sangue, descobriram que se tratava de uma bactéria e resolveram interná-la”, relatou a mãe.
A adolescente, então, foi diagnosticada com um abscesso e uma infecção bacteriana. “Eu achei que era uma coisa simples, mas, quando entendi a gravidade do caso, fiquei muito assustada e preocupada”, admitiu Thai. Ela explicou que os médicos apontaram uma lâmina em mau estado de conservação como possível causa: “Ela já havia usado várias vezes e deixava exposta no banheiro”.
Após mais dois dias sem melhora, mesmo com os antibióticos pela via intravenosa, os médicos optaram por uma cirurgia para drenar o pus acumulado. Durante o procedimento, foi identificado um início de necrose no tecido. Uma amostra da secreção também foi enviada para análise e foi identificada a bactéria Staphylococcus aureus.

Ao todo, a adolescente permaneceu seis dias no hospital. “Alice sentia dores intensas no abscesso, passou noites sem dormir e sem conseguir baixar o braço. Após a cirurgia, ela teve reação e passou muito mal, com queda de pressão, desmaios e enjoos”, contou a mãe. Depois da alta, o tratamento continuou em casa. “Viemos para casa e ela fez ainda mais sete dias de medicação, além de ter que fazer descolonização bacteriana. Hoje, ela segue sem poder se depilar por pelo menos um mês com qualquer método”, afirmou.
“Hoje, seguimos com consultas e em alerta, porque, caso se repita, poderemos mudar o diagnóstico para hidradenite supurativa, que é esse abscesso com repetições”, explicou Thai. “Fiquei feliz em saber que meu vídeo pôde alcançar tantas pessoas para passar essa mensagem, mesmo recebendo muitos ataques no post e pessoas dando diagnósticos sem saber o que realmente passamos. A minha intenção foi alertar que, às vezes, uma simples questão pode se agravar muito rápido e até levar a óbito se não for tratada rapidamente”, concluiu.
Veja o vídeo na íntegra:
Especialista faz alerta
A dermatologista Maria Paula Del Nero, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explicou à publicação o que pode ter causado a infecção. “Quando se utiliza uma lâmina que já foi usada, principalmente se ela não foi adequadamente higienizada ou armazenada, pode haver maior risco de contaminação e de entrada de bactérias por meio dessas pequenas lesões”, afirmou. Nas axilas, fatores como suor, calor, umidade e atrito também podem favorecer o problema. “A partir daí, pode surgir uma foliculite, que eventualmente pode evoluir para uma infecção mais profunda e formar um abscesso”, acrescentou.
A especialista enfatizou a necessidade de procurar atendimento caso apareça um nódulo doloroso, quente, avermelhado, com secreção ou que esteja aumentando. “Não se deve furar, espremer ou tentar drenar o abscesso em casa, pois isso pode piorar a infecção e favorecer sua disseminação. Se houver febre, mal-estar, vermelhidão se espalhando pela pele ou piora rápida, a avaliação deve ser ainda mais precoce”, alertou.
Entre os cuidados indicados, Del Nero apontou: não compartilhar lâminas, descartá-las preferencialmente após três usos, e evitar itens velhos, enferrujados, sujos ou armazenados de maneira inadequada. Durante a depilação, a orientação é umedecer e limpar a pele, usar gel ou creme para reduzir o atrito e evitar pressionar ou passar o objeto repetidamente pela mesma área. Também não é recomendado raspar regiões já irritadas, lesionadas ou com foliculite.
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