A advogada e médium Máira Rocha foi acusada de falsificar cartas psicografadas destinadas a famílias em luto. O “Fantástico” reuniu relatos de pessoas que questionaram as mensagens recebidas e mostrou as acusações envolvendo a médium, que comanda um centro espírita em Brasília.
A advogada Máira Rocha, conhecida por atuar como médium em Brasília, foi acusada de falsificar cartas psicografadas para famílias em luto. Neste domingo (6), o “Fantástico” exibiu relatos de pessoas que receberam mensagens espirituais com erros e informações que estavam disponíveis na internet. Atualmente, Máira tem registros policiais em pelo menos cinco estados por acusações que incluem estelionato, calúnia, difamação e ameaça.
Além de advogada, Máira trabalha no Ministério da Saúde e comanda a Casa da Caridade Inácio Daniel, centro espírita que construiu no início deste ano. Segundo a reportagem, o espaço recebe cerca de cinco mil pessoas por mês e mantém atividades assistenciais, como distribuição de alimentos, roupas e agasalhos. Uma parte do trabalho, no entanto, é dedicada aos atendimentos espirituais e às chamadas “cartas consoladoras”, psicografias coordenadas pela própria Máira.
De acordo com o dominical, as atividades são mantidas por doações, inclusive de familiares que procuram ajuda. O centro também realizava leilões de roupas e objetos utilizados por Máira durante as sessões, prática que foi questionada pelo presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho. “A doutrina não nos autoriza, não nos ensina a realizar leilões, esse tipo de prática. Ela nos ensina a servir. E servir de forma desinteressada”, explicou.
Erros em cartas psicografadas
O “Fantástico” exibiu o depoimento de famílias que começaram a questionar o trabalho da médium. Uma das pessoas, identificada como Marina Escames, procurou Máira depois da morte do marido para receber uma mensagem e ajudar o filho. Antes de participar da psicografia, porém, ela precisou fornecer informações pessoais ao centro.
“Antes da data da psicografia, 60 dias antes, você precisa se inscrever, você e o seu acompanhante, e passar o nome completo, o CPF da pessoa que vai e do acompanhante (…) Ela perguntou o nome do meu marido completo, ela perguntou do que ele tinha falecido, eu dei uma foto dele e, assim, realmente, nessa fila de abraço, ela pegou várias informações”, contou Marina.
Na mensagem que recebeu, ele reconheceu detalhes da vida com o marido e acreditou que o texto vinha dele. A percepção só mudou quando o filho mais velho acessou as antigas redes sociais do pai. “Eu entrei e acabei vendo muita semelhança em relação à carta. E aí na hora eu chamei a minha mãe e falei: ‘Mãe, olha, tá tudo aqui!’”, relatou o jovem.

Outra testemunha, Marcela Magalhães, também desconfiou das mensagens atribuídas ao filho Henrique, morto aos 18 anos em um acidente de carro. Durante uma live, Máira afirmou: “Eu eu tô com o Henrique, um jogador de futebol que desencarnou muito cedo, mas mãezinha, ele tá bem”. O rapaz, porém, nunca havia sido jogador profissional. Posteriormente, Marcela encontrou uma reportagem sobre a morte do filho que apresentava exatamente a mesma informação incorreta.
Especialistas se manifestam
Especialistas ouvidos pelo programa apontaram que informações fornecidas antecipadamente podem ser usadas para localizar dados sobre pessoas e seus familiares na internet. “Com essas informações é possível fazer uma varredura nos bancos de dados que existe na internet, elaborar um dossiê sobre aquela pessoa e sobre possíveis parentes desencarnados que que podem ter as suas informações transmitidas”, detalhou o escritor e pesquisador espírita Pedro Camilo.
Já Godinho comparou esse procedimento ao adotado por Chico Xavier: “Tinha uma multidão de pessoas, ele não sabia quem estava. Ele não tinha CPF, não tinha endereço, nada disso. Porque o telefone ele toca do alto para cá. E aí aqueles espíritos que ali estavam, que iriam trazer alguma informação, ele psicografava”.
Máira também tem acusações na esfera policial e judicial. Conforme a reportagem, sete lideranças espíritas assinaram um manifesto e apresentaram uma notícia-crime por estelionato, charlatanismo e possível violação do artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Ministério Público ainda analisa acusações de apropriação indébita, desvio de recursos e rede de influência com servidores públicos.

“O tipo de estelionato é justamente quando procura, nesse caso específico, se instrumentalizar a fé, ou seja, enganar a pessoa dizendo que possui informações extraordinárias, quando na verdade está enganando a pessoa, está buscando informações em bancos de dados, eventualmente na internet, e entregar uma carta psicografada que na verdade ela é fake”, explicou o advogado criminalista Luiz Henrique Machado.
Segundo o “Fantástico”, Máira foi procurada, mas não aceitou gravar entrevista.
Assista à matéria na íntegra:
Siga o Hugo Gloss no Google Discover e acompanhe nossas notícias
