Isabelle Caracristi, estudante de 22 anos, foi encontrada morta após cair do terraço de um prédio em Fortaleza (CE). O caso também envolve uma investigação sobre uma suposta relação financeira da jovem com uma mulher do Rio Grande do Sul.
A morte de Isabelle Caracristi, estudante de 22 anos encontrada morta após cair do terraço de um prédio em Fortaleza (CE), também passou a ser investigada a partir de informações sobre uma suposta relação financeira mantida pela jovem com uma mulher de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. De acordo com o Se Liga Brasil, do SBT, Isabelle havia sido alvo de um registro de ocorrência por estelionato e de uma ação cível relacionada a investimentos e empréstimos que não teriam sido devolvidos.
A reportagem informou que Isabelle estava sendo processada por danos morais e materiais e que era cobrada na Justiça uma indenização de R$ 10 mil. A estudante, supostamente, atraía vítimas com a promessa de lucros altos e rápidos para participar de uma plataforma de apostas.
Em um dos áudios que teriam sido enviados pela estudante, ela afirma que, se a pessoa apostasse 50 centavos, o retorno poderia chegar a R$ 1 mil. “Nessa brincadeira, que no meu terceiro, apenas com 18… 19 anos de idade, eu fiz os meus primeiros R$ 30 mil no mês. Sim! Com casa de aposta, eu fiz R$ 30 mil. Com 50 centavos, eu consigo fazer mais de R$ 1 mil. De uma vez? Não! Às vezes, depende! Vamos supor que tu colocaste 150, como eu estou te dizendo. Aí, talvez, tu acorde com R$ 500 na conta. Talvez, tu acordes com 1k na conta. Tu vais logo sacar. Por favor, não saca tudo”, diz um trecho do áudio.
Os documentos apontam que, desde o ano passado, a Justiça procurava Isabelle, mas as notificações judiciais retornavam sem resposta. Ela também não teria comparecido às audiências de conciliação.

Conforme o jornal Correio do Povo, o processo foi movido pela mulher gaúcha, que buscava na Justiça a reparação pelos valores que afirma ter perdido. De acordo com Paolla Pietro, advogada da autora, a ação foi protocolada em junho de 2025.
As duas teriam se conhecido em julho de 2024, por meio do TikTok. Segundo relatado pela advogada, depois de iniciarem as conversas pela rede social, elas desenvolveram uma relação de amizade. Foi posteriormente que Isabelle teria apresentado uma proposta de investimento à mulher.
A tentativa de recuperar o dinheiro por meio de conversas não teria dado resultado e, por isso, a autora decidiu recorrer à Justiça. “É uma ação simples, de reparação de danos. Todos os dias ajuizamos esse tipo de ação, mas nunca imaginamos que pudesse ter essa repercussão”, afirmou a advogada.
Apesar de a ação já estar em andamento, Isabelle não havia sido citada quando morreu. Segundo Paolla, portanto, não havia confirmação de que a estudante tivesse tomado conhecimento formal do processo. O caso tramita em segredo de Justiça. Por esse motivo, a advogada informou que não poderia fornecer detalhes sobre o andamento da ação.

A disputa judicial teve origem em valores que, segundo a autora, teria sido transferidos para Isabelle após uma proposta de investimento. O episódio também resultou em um registro policial no Rio Grande do Sul, feito em fevereiro de 2025 e classificado como estelionato.
A oportunidade, supostamente apresentada por Isabelle, seria fazer um depósito de R$ 200 e receber R$ 800 de retorno. No dia seguinte, a mulher teria sido orientada a realizar outro pagamento de R$ 200, para receber R$ 1 mil.
A autora da ação teria feito as duas transferências, mas não recebeu os valores prometidos. Depois que passou a cobrar explicações de Isabelle, a estudante disse que estava com dificuldades para retirar o dinheiro. Ainda segundo o processo, depois desse episódio, a mulher ainda teria emprestado outros R$ 180 para a jovem, mas o valor também não teria sido devolvido.
Após as cobranças, a autora disse que foi bloqueada pela estudante nas redes sociais. A ocorrência ficou sob responsabilidade da Polícia Civil, mas não há informações sobre o resultado das investigações.
Assista à reportagem completa:
A tragédia
Isabelle Caracristi foi encontrada morta no dia 13 de setembro, depois de cair do terraço do prédio onde morava com o namorado, em Fortaleza (CE). Inicialmente, a perícia informou que os elementos analisados apontavam para uma precipitação voluntária. O namorado de Isabelle, João Munhoz Neto, foi preso preventivamente e é investigado pelas circunstâncias da morte e pelo relacionamento que mantinha com a jovem. Segundo a defesa, ele nega qualquer envolvimento na morte da estudante.
O caso ganhou repercussão após a mãe de Isabelle, Isorlanda, publicar um vídeo sobre a morte da filha e cobrar justiça. A professora relatou que o último contato com a estudante aconteceu no começo da noite de domingo (13), quando recebeu duas mensagens pelo WhatsApp. Em uma delas, Isabelle pediu que a mãe olhasse uma comida que havia deixado na airfryer. Na outra, escreveu: “Mãe, eu te amo”.
Isorlanda contou que não recebeu novas respostas depois disso e acreditou que a filha estivesse dormindo. Na manhã da segunda-feira (14), ainda sem conseguir falar com Isabelle, Isorlanda disse que tentou contato com João Munhoz Neto por ligações e mensagens, mas ela teria sido bloqueada. “Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada. Aí eu me desesperei”.
A mãe só soube da morte de Isabelle quando foi até o condomínio acompanhada do filho. No local, a síndica do prédio informou que a moça havia morrido na noite anterior.

Isabelle estava em um relacionamento com João Munhoz Neto desde julho, quando passou a estagiar no mesmo local de trabalho dele. Em meados de agosto, ela decidiu morar com o namorado, a sogra e o cunhado. Durante as semanas que antecederam sua morte, a universitária relatou a familiares e conhecidos, os abusos sofridos.
Duas horas antes da queda fatal, Isabelle enviou um áudio de 16 minutos ao primo detalhando uma discussão, afirmando estar sendo ameaçada e declarando que, se algo acontecesse com ela, o companheiro seria o responsável. Ela também teria falado ao dono do escritório onde eles trabalhavam que se sentia “sufocada” com João no ambiente de trabalho.
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