Uma vizinha do condomínio onde Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta afirmou ter visto o momento da queda da estudante. A mulher disse que o local estava escuro e, posteriormente, levantou a suspeita de que Isabelle já estaria morta antes da queda. A investigação ainda está em andamento.
Uma moradora do condomínio onde a estudante Isabelle Caracristi vivia com o namorado disse ter visto o momento da queda da jovem. A vizinha, que se identificou como Rosane, afirmou que ouviu um estrondo do que poderia ser uma pessoa caindo, mas não conseguiu identificá-la porque estava em um local escuro. O relato ocorreu neste domingo (20), durante uma manifestação por justiça em frente ao residencial no bairro de Aldeota, em Fortaleza.
Ao portal local “Doga TV”, Rosane relatou o que teria presenciado. “Eu achei muito estranho, porque foi um estrondo muito grande, todo mundo na praça escutou. Ela caiu lá de cima e parece que saiu quebrando lá embaixo os vidros e alumínios”, contou.

A vizinha explicou que só teve certeza do que se tratava no dia seguinte, mas já havia desconfiado de que poderia ser um morador. “Eu estava na porta e vi quando caiu lá de cima. Não enxerguei que era uma pessoa, porque estava escuro”, disse. “Na terça-feira, eu tava na pracinha, e um guarda contou que um cara tinha saído correndo dessa portaria. Eu vi o corpo caindo“, acrescentou.
Em conversa com o “Francês News”, ela também defendeu que Isabelle não estava consciente durante a queda e levantou a suspeita de homicídio. “Eu acho que ela já estava morta”, acusou.
Assista:
Perícia indica queda
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio onde vivia com o namorado, no bairro Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro. Neste domingo (20), a Perícia Forense do Ceará (Pefoce) informou que a jovem apresentava lesões no corpo “compatíveis com o impacto contra o solo”. Os exames toxicológicos também tiveram resultado negativo para substâncias de interesse.
A causa e a dinâmica da morte ainda estão sendo investigadas. Ao g1, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que a Polícia Civil já colheu o depoimento de quatro pessoas e agendou outras quatro oitivas. As imagens de câmeras de segurança do local também seguem em análise.
A Polícia Civil do Ceará também apreendeu o celular e um tablet da mãe de João Munhoz Neto, o namorado de Isabelle. Os dois não são citados como investigados ou suspeitos, segundo informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública, mas o aparelho será periciado. O celular da estudante também já foi recuperado e será periciado.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Diário do Nordeste capturaram a movimentação da jovem no dia do ocorrido. Nas imagens, João aparece deixando o prédio sozinho por volta de 18h32. Cerca de 40 minutos depois, Isabelle entra no elevador e vai ao rooftop, no 23º andar.
Veja as imagens
🚨 A editoria de Segurança do Diário do Nordeste teve acesso com exclusividade aos vídeos de câmeras de segurança do prédio onde a estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no último dia 13 de setembro. pic.twitter.com/OgQEt7rU7x
— Diário do Nordeste (@diarioonline) September 20, 2026
Desabafo da mãe de Isabelle rodou as redes sociais
O caso ganhou repercussão nas redes sociais na última sexta-feira (18), após a mãe da jovem publicar um vídeo cobrando explicações. A professora Isorlanda Caracristi contou que a filha cursava o segundo semestre de Direito, em julho, quando conseguiu um estágio em um escritório de advocacia na cidade. Pouco depois, ela teria anunciado o namoro com o advogado João Munhoz Neto, um dos sócios da empresa.
Segundo Isorlanda, o envolvimento amoroso veio após uma série de investidas durante o trabalho por parte do rapaz, que sempre elogiava o desempenho da estagiária na função. “Até estranhei porque, em pouco tempo assim, já conseguiu avaliar o desempenho… Levou para trabalhar diretamente, tirou ela do setor onde ela estava, levou para o setor dele, onde ele era o gestor”, comentou.

A mãe de Isabelle também contou que chegou a avisar a filha sobre o risco de assédio, já que João era um homem mais velho, de 33 anos, em posição de poder.
Isorlanda só se sentiu mais tranquila com o namoro de Isabelle quando encontrou João em um restaurante. “Depois desse almoço, me senti mais reconfortada, mas mesmo assim, coração de mãe sabe, sente, que não tinha uma coisa normal ali. Era um exagero, uma coisa muito rápida, uma coisa muito acelerada. Coisas que só adolescente tem, e não um homem feito, de 33 anos de idade”, disse.
O sossego, no entanto, não durou muito. A mãe reacendeu o alerta sobre o namoro após descobrir algumas ações questionáveis dentro da relação do advogado com a filha, como quando ele pediu o cartão de crédito de Isabelle para realizar uma cirurgia e prometeu que usaria o nome dela para abrir uma empresa para os dois.
“Eu enlouqueci… Como é que pode um homem de 33 anos, que se diz bem sucedido… (…) Gente, a mãe dele não vai pagar essa cirurgia, ele não tem cartão, ele não tem um plano de saúde?”, relembrou. Isorlanda também relatou que João mandava muitas mensagens para Isabelle, o que ela entendeu como um comportamento controlador.
No desabafo, Isorlanda também reconstituiu os dias anteriores à morte de Isabelle. Segundo a professora, a filha pediu para passar o fim de semana com ela porque estava com dores no pescoço. Juntas, as duas foram ao aniversário de um familiar no dia 12 de setembro. No dia seguinte, a estudante avisou à mãe que iria para uma missa e procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza, com o namorado e a sogra.

Isorlanda perdeu o contato com a filha na mesma noite. A última mensagem enviada por Isabelle teria sido: “Mãe, eu te amo.” Depois disso, ela parou de responder. Na manhã da segunda-feira (14), a professora tentou contato com o genro para saber notícias da filha, mas percebeu algo incomum.
“Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada… Aí eu me desesperei”, detalhou. Sem contato, Isorlanda decidiu ir ao condomínio onde a jovem vivia com João. Foi quando descobriu que a filha tinha morrido.
“Vocês não querem saber o que é isso não, a dor que eu senti. É como se estivesse rasgando todo o meu corpo. (…) Eu dizia para a síndica: ‘não me diga, isso é sonho, isso é sonho, não é verdade’… Aí eu pergunto, meu Deus, o que aconteceu com a minha filha, até hoje”, questionou.
Veja o relato completo
Eu tô devastado com o relato dessa mãe contando que a filha morreu após ir à missa com o namorado. Ela ficou sabendo da morte pela síndica do prédio onde ele morava, ninguém da família dele entrou em contato com ela e, até hoje, não tem respostas sobre o que aconteceu pic.twitter.com/uOBomrEdgN
— Matheus (@matheuscaseca) September 19, 2026
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