Lewis Hamilton se manifesta após menção racista de Nelson Piquet: ‘Houve muito tempo para aprender’


Nesta terça (28), Lewis Hamilton se posicionou contra a fala discriminatória de Nelson Piquet. Em novembro do ano passado, o ex-automobilista brasileiro deu uma entrevista para o canal do YouTube “Enerto” em que chama o heptacampeão de “neguinho”. Apesar de ter sido publicado há um tempo, o vídeo começou a circular nas redes sociais neste domingo (26). A Fórmula 1 e a Mercedes também publicaram hoje (28) comunicados repudiando falas racistas contra o piloto britânico.

No trecho que viralizou, Piquet estava comentando a tentativa de ultrapassagem de Verstappen sobre Hamilton em 2021. Os pilotos disputavam o primeiro lugar na corrida e a situação resultou em um acidente.

Após ter a roda traseira direita tocada pelo inglês, Verstappen perdeu a direção e se chocou contra o muro de pneus em Silverstone. O entrevistador questionou se o movimento de Hamilton foi semelhante a um feito por Ayrton Senna, em prova realizada em 1990.

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“Não. O neguinho meteu o carro e ele deixou”, disse Piquet. “Mas foi o que o Senna fez”, respondeu o youtuber, relembrando a manobra do brasileiro. “Não. O Senna não fez isso. O Senna saiu reto”, retrucou ele. “Você acha que ele não faria aquela curva?”, questionou novamente o entrevistador.

“Não. Ele foi assim ‘aqui eu (Verstappen) arranco ele de qualquer maneira’ […] e o neguinho deixou o carro. É porque é uma curva muito alta. Não tem jeito de passar dois carros, e não tem jeito de botar o carro do lado. Ele (Verstappen) fez de sacanagem”, concluiu. Assista:

Nesta manhã (28), Lewis Hamilton se manifestou sobre o caso. De início, o piloto repostou um tuíte de um internauta que dizia: “E se Lewis Hamilton apenas tuitasse ‘Quem diabos é Nelson Piquet?’, e então fechasse o Twitter”. “Imagine“, adicionou o britânico à publicação.

Em português mesmo, o corredor fez outra publicação em seguida. “Vamos focar em mudar a mentalidade”, escreveu. Por fim, Hamilton detalhou mais o que tem a dizer sobre o caso. “É mais do que linguagem. Essas são mentalidades arcaicas que precisam mudar e não têm lugar no nosso esporte. Fui cercado por essas atitudes e alvo delas a minha vida toda. Houve muito tempo para aprender. Chegou a hora da ação”, declarou.

A Fórmula 1 também se posicionou contra as falas, sem citar o nome de Nelson Piquet. “Falas discriminatórias e racistas são inaceitáveis e não podem ter espaço na sociedade. Lewis é um incrível embaixador do nosso esporte e merece respeito. O esforço incansável dele para aumentar a diversidade e a inclusão é uma lição para muitos e é algo com que estamos comprometidos na F1”, disse a nota publicada no Twitter.

A Mercedes, equipe que Hamilton representa nas corridas, também se manifestou. “Condenamos veementemente qualquer uso de falas racistas e discriminatórias. Lewis tem liderado os esforços para combater o racismo no nosso esporte e é um verdadeiro campeão de diversidade dentro e fora das pistas. Juntos, compartilhamos o desejo de um esporte diverso e inclusivo e esse incidente ressalta a importância fundamental de continuarmos nos esforçando para um futuro melhor”, publicou a empresa.

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