Depois desse episódio, a professora relatou que retirou pequenas “bolinhas” da boca antes de engolir a água e decidiu instalar um celular escondido para gravar o que acontecia na sala. Foi então que as imagens registraram Maria Aparecida colocando um material dentro da garrafa. Ela aparece cortando um papel com uma tesoura, depositando o conteúdo na água, agitando a garrafa e saindo da sala. A mulher é investigada por tentativa de homicídio.
Com os vídeos, Denny procurou a polícia. A garrafa foi encaminhada para perícia e, dois dias depois, a professora voltou ao curso com outro recipiente idêntico. Segundo ela, a suspeita repetiu o comportamento e voltou a ser filmada. De acordo com a reportagem do dominical, os laudos periciais apontaram a presença de mercúrio nas duas garrafas analisadas. Exames também detectaram o metal no sangue e na urina da professora. No sangue de Denny foram encontrados 21 mg, cerca de quatro vezes acima do limite considerado tolerável.
As gravações foram feitas nos dias 3 e 5 de junho de 2025. Mais de um ano depois, o inquérito ainda não foi concluído. O delegado José Custódio explicou que, embora as imagens e os depoimentos sejam importantes, a investigação busca reunir mais elementos: “Para um leigo, talvez só a filmagem e os depoimentos seriam suficientes, mas a gente está tratando de buscar mais informações capazes de demonstrar que ela praticou a tal conduta”.
Já a defesa de Denny cobra agilidade e afirma que os laudos confirmando a presença de mercúrio ficaram prontos poucos dias após o início da apuração.

Segundo a polícia, Maria Aparecida nega as acusações. Em nota, a defesa informou que “ela tem transtornos mentais, está sob cuidados médicos e não divulgará informações que possam atrapalhar a conclusão do inquérito”. O delegado apontou, no entanto, que até o momento não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico.
A principal linha de investigação é de que o crime tenha sido motivado por ciúmes da amizade entre Denny e o namorado da investigada. De acordo com a professora, elas discutiram sobre o tema há cerca de um ano e meio. “Eu disse: ‘Se você tem algum problema com ele, você resolva com ele que é seu namorado. Mas independente do que você está fazendo, não vou deixar de ser amiga dele’. Pra mim, ele era mais do que um irmão”, afirmou.
Enquanto isso, Denny tenta voltar para a rotina. Ela desabafou sobre a dificuldade de encontrar profissionais especializados no tratamento de pacientes contaminados por mercúrio e explicou que as sequelas afetaram sua qualidade de vida. “Eu sempre fiz minhas coisas sozinha, de ter minha liberdade, de poder resolver minhas coisas, pegar minha neta… É um sentimento de tristeza! Eu estou otimista. Eu tenho fé. Eu vou voltar. Sempre digo: eu vou voltar a andar como era antes”, concluiu.
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