Cantora afirmou que, na infância, percebia o colega como figura prioritária no programa infantil do SBT
A cantora Priscilla voltou a falar sobre os impactos de ter iniciado a carreira artística ainda criança e revelou que só depois de adulta conseguiu compreender algumas marcas que a televisão deixou em sua vida. Durante participação no programa “Sem Censura”, transmitido na última terça-feira (25/8) na TV Brasil, Priscilla refletiu sobre as diferenças de tratamento que percebia ao dividir a apresentação com o amigo, Yudi Tamashiro.
A artista começou a trabalhar aos oito anos. Segundo ela, conciliar uma rotina profissional intensa com uma fase tão importante da formação pessoal trouxe consequências; e, na época, ela não as percebia com clareza. A resposta veio após uma pergunta do ator Klebber Toledo sobre as diferenças do trabalho entre a cantora e Yudi na época.
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Segundo ela, embora não compreendesse exatamente o motivo do desconforto, ela passou a interpretar essa dinâmica de outra forma depois de adulta. “Nunca parei pra pensar no quanto eu fui atingida enquanto mulher naquele cenário. Porque é isso, eu vivia numa inocência e vinte anos atrás, muita coisa mudou. E eu lembro que lá eu não tinha consciência, mas eu tinha sensações. Para as pessoas entenderem, o Yudi é um irmão para mim, só para ninguém tirar de contexto. Mas era sempre uma pergunta projetada para ele. Era sempre um tipo de evidência que a figura dele vinha na frente. E intencional ou não, eu acabava pegando aquilo para mim e achando que eu pertencia a um lugar de coadjuvante. Então, sempre eram os dois. Às vezes a pergunta geralmente vinha primeiro para ele”, argumentou.
Priscilla ressaltou que não responsabiliza Yudi pelo que aconteceu e fez questão de destacar a proximidade entre os dois. Para ela, a situação estava relacionada principalmente ao ambiente e aos padrões existentes naquele período. Priscilla afirmou que, cerca de duas décadas atrás, discussões sobre desigualdade de gênero e a forma como mulheres eram tratadas em determinados espaços tinham uma presença menor no debate público.
Com o amadurecimento e o acompanhamento terapêutico, a cantora passou a relacionar aquele incômodo à necessidade de se sentir reconhecida e verdadeiramente vista.
“Eu consegui mudar quando eu saí da televisão. Acho que me desconectei assim de todo o laço que tinha tanto do ambiente, da estrutura, daquele sistema, até mesmo das pessoas que trabalhavam comigo. E eu fiquei só comigo mesma. Aí que comecei a me descobrir e ditar como é que eu queria o meu caminho”. Ela explicou que não se tratava simplesmente de querer mais destaque diante das câmeras, mas de perceber que também merecia ocupar um lugar de protagonismo.
Priscilla contou ainda que chegou a um momento da vida em que percebeu ter deixado experiências pessoais de lado por causa do trabalho. Para ela, o universo artístico pode consumir a rotina de quem começa cedo e fazer com que questões comuns da vida fiquem em segundo plano. Depois de anos de terapia, a cantora diz ter conseguido enxergar a trajetória de maneira mais equilibrada, reconhecendo também os aspectos positivos da carreira. Hoje, ela se dedica principalmente ao trabalho como cantora pop.






